macieira_destaque

Casa sobre a ruína


Habitação

Projeto em curso
Construção de habitação unifamiliar, Macieira da Lixa, Felgueiras

Numa primeira abordagem ao terreno percebeu-se que o mesmo já havia sido usado para fins habitacionais; composto por um pequeno acesso claramente definido, muros em pedra (estilo pedra de um monte) e também 2 núcleos habitacionais: um em ruína e outro ainda edificado. Neste primeiro momento sentiu-se que a localização da habitação antiga e da ruína se encontrava no sítio certo do terreno, portanto, ao pensar o projeto não se mostrou necessário desenhar a nova habitação noutro espaço do terreno.
O conceito do projeto passa assim por manter o acesso original e agarrar a ruína como âncora para o novo projeto. Optou-se pela demolição da casa existente dada a pouca qualidade arquitectónica e áreas pouco adequadas aos usos atuais de habitação. Definiu-se ainda como objetivo reabilitar a ruína, uma vez que esta é, por um lado, um elo de memória do terreno e, por outro lado, é um elemento que mantém uma traça vernacular, sendo o seu entalhe em pedra particularmente rico. No novo projeto a ruína assume-se como um elemento cenográfico no espaço exterior, que mantém a relação do presente com o passado.
O local de implantação da nova habitação encontra-se numa cota superior em relação a grande parte do terreno restante, isto é, a habitação surge numa cota mais alta. Teve-se em conta a relação do terreno com a rua e a exposição solar. O alçado principal surge virado a sul de forma a tirar partido da boa exposição solar e da vista.
A zona de habitação é composta apenas por um piso, de forma a que este volume não se torne agressivo perante a envolvente. O novo volume respeita a ruína e o terreno existente, uma vez que a habitação praticamente pousa sobre o terreno. A ruína e o novo volume procuram, assim, uma relação de equilíbrio, isto é, o novo volume não põe em causa a leitura da ruína, pois é este elemento que desenha o novo projeto.

O projeto contempla num primeiro momento um espaço de chegada (pequeno pátio de recepção) com o apoio de uma garagem subterrânea. Num segundo momento acontece a habitação dividida em 2 zonas (zona social e zona íntima). A entrada na habitação é feita pela zona social, onde se integrou uma lareira de forma a enriquecer o espaço social, procurando igualmente que este elemento tivesse leitura também através do exterior.
Existe também um espaço exterior de apoio às duas zonas que permite o acesso ao exterior para a zona norte, quer através da cozinha, quer através do quarto. Esta zona acaba por fazer a ligação da zona de habitação ao espaço ajardinado e proporciona também vantagens na entrada de luz na habitação.
A parte inferior ao volume habitacional foi pensada de um modo mais tradicional, refazendo os muros de pedra tradicionais contrastando com apontamentos em aço, como por exemplo o portão da garagem, o portão de entrada. Procurou-se uma pormenorização que através dos materiais privilegiasse a ligação entre o novo e o antigo.

A habitação destaca-se pelas suas linhas minimalistas, materializada também através da escolha dos materiais: betão aparente contrastando com grandes panos de vidro e duas fachadas em madeira.

Partilhar: